sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

AS NOSSAS SUGESTÕES - JANEIRO 2007

Título: Ontem não te vi em Babilónia
Autor: António Lobo Antunes

De quem se fala: Nascido a 1 de Setembro de 1942 em Lisboa, António Lobo Antunes é um escritor português e um dos autores mais conhecidos de Portugal, juntamente com José Saramago. Lobo Antunes foi já considerado um candidato ao Prémio Nobel da Literatura.
Lobo Antunes é licenciado em Medicina, com especialização em Psiquiatria. Esteve destacado em Angola, entre 1970 e 1973, durante a fase final da Guerra Colonial portuguesa. A sua experiência de guerra inspirou muitos dos seus livros. Regressado a Portugal, trabalhou no hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, em Lisboa. Foi militante da APU (Aliança Povo Unido - coligação liderada pelo Partido Comunista Português) em 1980. Actualmente vive em Lisboa, mas já não exerce medicina, dedicando-se em exclusivo à escrita.

O que se diz: Uma noite ninguém dorme, e durante a meia-noite e as cinco da manhã, as pessoas sonham acordadas no sono: contam e inventam as suas vidas e as suas histórias, ou as histórias em que transformam as suas vidas, ou as vidas que transformam em histórias. Podem ser vidas cruéis, de medo, de uma cicatriz interior, de algo que talvez fosse o Estado português de outros tempos. Podem ser vidas de amores passados, de lápides varridas, de um desejo de uma vida inteira, de se poder ser feliz sem pensar. Nestas histórias, nestes silêncios destas falas, nos risos e nas traições, vamos identificando a noite de um país, a noite cheia de vozes, e a noite silenciosa que é o isolamento de cada um. Como diz o autor, «porque aquilo que escrevo pode ler-se no escuro».

Está dito: «O que escrevo pode ler-se no escuro.»

Dom Quixote ; 479 pag.


Título: A História da Minha Máquina de Escrever
Autor: Paul Auster

De quem se fala: Paul Auster nasceu em New Jersey, nos Estados Unidos da América há 51 anos. Aos 15 apaixona-se pela literatura e é então que começa a ler Dostoiévsky, Hemingway, Fitzgerald, Faulkner, Kafka, Hodërlin e Proust. Estudou na Universidade de Columbia e viveu em Paris e Nova Iorque, período durante o qual traduziu Breton, Eluard, Mallarmé, Sartre e Blanchot. Por força da leitura decide começar a escrever com o objectivo de decifrar o mundo recriando-o. Actualmente vive em Brooklin com Siri, a sua segunda mulher, que descreve como "alta, loura e exultantemente bela", os seus dois filhos, a poesia, dentro dos livros e para os livros.

O que se diz: Este é um tributo à relação – intensa e muitas vezes determinante - entre um escritor e a sua máquina de escrever. Ao longo de 30 anos, a velha máquina Olympia de Paul Auster foi a corrente de transmissão dos romances, contos e textos de um dos mais emblemáticos escritores norte-americanos. Paralelamente, os vigorosos e obsessivos desenhos e pinturas que Sam Messer dedica ao autor e à sua máquina de escrever conseguiram, como escreve Paul Auster, «converter um objecto inanimado num ser com personalidade, com uma presença no mundo».

Está dito: “De todos os objectos que tinha há vinte e seis anos é o único que ainda possuo. Mais alguns meses e ela terá estado comigo exactamente metade da minha vida.”

Asa ; 63 pag.


Título: Herman Hess
Autor: Siddhartha

De quem se fala: Contista, poeta, ensaísta e editor de importantes obras da literatura alemã, Hermann Hesse nasceu em 2 de Julho de 1877 na pequena cidade de Calw, na Alemanha. Trabalhou como livreiro e como antiquário, dedicando-se exclusivamente à literatura a partir de 1903. Nos seus textos procurou manter-se fiel às tradições literárias românticas e clássicas, em contraposição à "era folhetinesca" e propagandística. Esta índole romântica e tendência para a análise psicológica caracterizaram as primeiras obras de Hesse, como Peter Camenzind e Demian. Sonho de uma Flauta, Siddhartha, O Lobo das Estepe, Narciso e Goldmundo e O Jogo das Contas de Vidro são algumas das muitas obras do escritor alemão que recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1946 e morreu em 9 de agosto de 1962.

O que se diz: Siddhartha, filho de um brâmane, descobre Buda, mas não se contenta em apenas servi-lo como discípulo: precisa encontrar um destino para si mesmo. Para alcançar esse propósito, segue um caminho tortuoso que o leva, através de um sensual caso amoroso com uma cortesã, da tentação do sucesso e das riquezas e de um conflito emocional com o seu próprio filho, à renúncia final e à autocompreensão. É considerado o maior sucesso de Hermann Hesse, expressa, de maneira exemplar, os aspectos do seu génio que têm um significado especial para os leitores de qualquer geração. Escrito com simplicidade e beleza quase bíblicas, é a história de um espírito rebelde na sua busca de paz e serenidade na vida.

Está dito: «Que bom -assim pensou - provar tudo quanto se necessita conhecer! Em criança, já aprendi que a riqueza e os prazeres mundanos não nos trazem nenhum proveito. Há muito tempo sabia disso, mas somente agora cheguei a assimilar essa sabedoria. Hoje me compenetrei dela. Possuo-a não só na memória, senão nos olhos, no coração, no estômago. É uma bênção ter essa certeza. (…)Ouviste o canto do pássaro no fundo do teu coração e obedeceste a ele!»

Editorial Notícias ; 155 pag.



Título: Shalom
Autor: Possidónio Cachapa

De quem se fala: Escritor, dramaturgo, argumentista e tudo o que a sua imaginação lhe pede. Autor, entre outras obras, de “A Materna Doçura” (1998) e “Viagem ao Coração dos Pássaros” (1999).

O que se diz: Ester, uma mulher judia do século XVI, assiste à derrocada de todos os seus valores e convicções: uma peça em que se cruzam a religião e o amor, o romantismo e a busca de identidade sexual. Num mundo abandonado por Deus, nada mais resta do que a fuga.

Está dito: «Coloca nos meus lábios, quando estiver na presença do Leão, palavras apropriadas e muda o seu coração em ódio contra aquele que nos é hostil, a fim de que pereça com todos os seus partidários. Livra-nos com a tua mão e assiste-me no meu abandono, a mim, que não tenho senão a ti…»

Assírio & Alvim ; 94 pag.


Título: Poesia Reunida
Autor: Manuel António Pina

De quem se fala: Nascido no Sabugal, Beira Alta, em 1943, Manuel António Pina licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Entre 1971 e 2001 foi jornalista do “Jornal de Notícias”, onde exerceu os cargos de editor e chefe de redacção. Colaborou com diversos outros meios de comunicação, sendo actualmente colunista da revista “Visão”. Tem uma vasta obra literária que engloba poesia, ensaio, literatura infantil e peças de teatro, tendo já sido traduzido para diversas línguas. A diversidade de géneros desenvolvidos e o seu ecletismo são a evidência do domínio de Manuel António Pina sobre a escrita. Conhecido pelo seu tom reflexivo, filosófico e irónico, o autor é considerado como uma das mais eminentes figuras da literatura portuguesa contemporânea. Recebeu vários prémios, tanto nacionais como internacionais, nomeadamente o Prémio da Crítica pela Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários, em 2002, pela globalidade da sua obra poética.

O que se diz: Num artigo intitulado “Sobe as escadas, bate à porta”, publicado no suplemento “Mil Folhas” do jornal Público, a 10/11/2001, Eduardo Prado Coelho escreveu: “Talvez agora, no momento em que a Assírio & Alvim publica a “Poesia Reunida” de Manuel António Pina, estejamos em condições de poder afirmar que nos encontramos perante um dos grandes nomes da poesia portuguesa actual. Uma extrema delicadeza pessoal, uma discrição obsessiva, uma cultura ziguezagueante e desconcertante, mas sempre subtil e envolvente, um sentido profundo da complexidade da literatura, e também, sobretudo, da complexidade da vida, têm talvez impedido a descoberta plena e mediática deste jornalista e homem de letras também voltado para os jogos mais leves e embaladores da literatura infantil. Contudo, torna-se imperioso dizê-lo agora: este tom deliberadamente menor sustenta uma obra maior da literatura portuguesa”.

Está dito:
“O braço que falta ao mendigo
É ele que na sombra mexe os cordelinhos
De milhões misteriosos de dedinhos
Com que o mendigo se coça e se alimenta.”

Assírio & Alvim ; 303 pag.

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